Quando o silêncio também adoece: ética, respeito e omissões na prevenção ao álcool

Por Rolf Hartmann, Presidente da Cruz Azul no Brasil

Este artigo integra a série “Ciência, Dignidade e Prevenção no Uso do Álcool”.

Na área da prevenção, nem todo dano vem da ação direta. O silêncio, a omissão e o medo de abordar temas sensíveis também adoecem.

Quando evidências científicas são relativizadas para evitar desconfortos sociais, o preço costuma ser pago em sofrimento humano.

O silêncio como falha ética

A ética em saúde exige:

  • veracidade;
  • responsabilidade;
  • compromisso com a vida.

Omitir diferenças de risco entre homens e mulheres, por receio de interpretações equivocadas, não é neutralidade — é negligência preventiva.

Dois pesos, duas medidas?

Historicamente, os hábitos nocivos masculinos sempre foram apontados sem constrangimento: maior consumo de álcool, maior mortalidade, mais comportamentos de risco.

Quando os dados passaram a mostrar maior vulnerabilidade feminina ao álcool, o discurso preventivo tornou-se mais cauteloso, por vezes silencioso. Isso precisa ser revisto.

Prevenção não é julgamento

Falar de riscos não é acusar, controlar ou desvalorizar. É cuidar. O respeito verdadeiro não esconde informações.

Conclusão

A ética da prevenção exige coragem. Dizer o necessário, com respeito, é uma forma de salvar vidas.

Referências

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Global status report on alcohol and health. Genebra: OMS, 2018. Disponível em: https://www.who.int. Acesso em: 10 jan. 2026.

UNITED NATIONS OFFICE ON DRUGS AND CRIME. World Drug Report. Viena: UNODC, 2023. Disponível em: https://www.unodc.org. Acesso em: 10 jan. 2026.

REHM, J. et al. Alcohol use and burden of disease. The Lancet, v. 373, n. 9682, 2009.

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