
Por Rolf Hartmann, Presidente da Cruz Azul no Brasil
Este texto inaugura a série “Ciência, Dignidade e Prevenção no Uso do Álcool”, que propõe uma abordagem educativa, baseada em evidências científicas e no respeito incondicional à vida humana.
Nas últimas décadas, discursos sociais passaram a tratar homens e mulheres como se fossem biologicamente idênticos diante de comportamentos de risco, incluindo o consumo de álcool. Embora a igualdade de direitos e dignidade seja um princípio inegociável, a ciência mostra claramente que homens e mulheres não respondem da mesma forma ao álcool.
Ignorar essa realidade não promove justiça nem respeito — produz adoecimento evitável.
Diferenças biológicas importam
Estudos científicos demonstram que o organismo feminino apresenta características que aumentam a vulnerabilidade aos efeitos tóxicos do álcool:
- menor quantidade de água corporal;
- maior proporção de gordura;
- menor atividade de enzimas que metabolizam o álcool;
- influência hormonal na resposta hepática.
Na prática, isso significa que a mesma quantidade de álcool gera maior concentração no sangue e maior sobrecarga para o fígado da mulher.
Dados epidemiológicos preocupantes
Nas últimas duas décadas, observou-se:
- crescimento do consumo excessivo de álcool entre mulheres;
- aumento acelerado de doenças hepáticas femininas;
- crescimento proporcionalmente maior da mortalidade feminina relacionada ao álcool.
Esses dados não são opiniões: são registros de saúde pública.
O equívoco da falsa igualdade
Tratar igualdade como equivalência absoluta de comportamentos ignora limites biológicos reais. A prevenção baseada em ciência não diminui mulheres — as protege.
Conclusão
Respeitar mulheres é dizer a verdade sobre riscos. A ciência não é inimiga da igualdade; é aliada da vida.
Referências
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Global status report on alcohol and health. Genebra: OMS, 2018. Disponível em: https://www.who.int. Acesso em: 10 jan. 2026.
CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. Alcohol and Public Health. Atlanta: CDC, 2022. Disponível em: https://www.cdc.gov. Acesso em: 10 jan. 2026.
LEE, B. P. et al. Trends in alcohol-associated liver disease in the United States, 1999–2020. Clinical Gastroenterology and Hepatology, v. 21, n. 8, 2023.



